Carlos Jofré

Guia

Como licitar uma usina solar: editais técnicos

Uma licitação solar funciona quando todas as propostas respondem ao mesmo. Para isso, o edital técnico deve fornecer os dados de partida, fixar requisitos mínimos de equipamentos e garantias, exigir que a produção seja calculada com uma mesma fonte e avaliar pelo custo da energia na vida útil da usina, não apenas pelo preço de instalação. Serve igualmente para uma empresa, um condomínio ou um município.

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Em resumo

  • Entregue a todos os licitantes os mesmos dados: consumo, plantas e condições do local.
  • Exija que a produção seja calculada com uma mesma fonte de irradiação.
  • Avalie pelo custo por kWh na vida útil, além do preço.
  • Inclua o rascunho do contrato no edital.

1. Defina o que você quer comprar

Antes de escrever uma linha do edital, decida o objetivo: cobrir uma porcentagem do consumo, usar todo o telhado disponível ou não superar um orçamento. Cada um leva a uma usina diferente. Se você não decidir, cada licitante decidirá à sua maneira e as propostas não serão comparáveis.

2. Forneça os dados de partida

  • Consumo elétrico de 12 meses e, se existir, perfil horário.
  • Tarifa e ramal de entrada atuais.
  • Plantas do telhado ou do terreno, com sombras e obstáculos.
  • Antecedentes estruturais da cobertura.
  • Diagrama unifilar e localização do quadro.
  • Restrições de acesso, horários e segurança.

Agende uma visita técnica obrigatória e uma rodada de perguntas com respostas para todos.

3. Defina os requisitos mínimos

TemaRequisito mínimo razoável
Painéis e inversoresIncluídos nos produtos autorizados pela SEC; ficha e certificados anexos
EstruturaMemorial de cálculo para o vento e o sismo do local
InstalaçãoInstalador autorizado pela SEC; declaração TE4 incluída no escopo
GarantiasPrazos mínimos de produto, desempenho e instalação
MonitoramentoPortal com dados por inversor, de propriedade do contratante
RecebimentoTestes de comissionamento conforme IEC 62446-1
ManutençãoPrimeiro ano incluído, com plano de visitas

Peça o que você precisa, não uma marca. Exigir um fabricante reduz a concorrência sem melhorar o resultado.

4. Torne as produções comparáveis

É o ponto que mais distorce uma avaliação. Se cada licitante estima a energia com sua própria base de dados e suas próprias premissas, ganha o mais otimista.

  • Defina a fonte de irradiação: por exemplo, o Explorador Solar do Ministério de Energia.
  • Peça o relatório de simulação completo, com perdas detalhadas.
  • Exija a produção em kWh por kWp, para detectar valores fora da faixa. Como referência, o PVGIS estima 1.832 kWh por kWp ao ano em Santiago para um sistema fixo sem sombras.
  • Se a produção é critério de avaliação, faça com que seja garantida.

5. Avalie pelo custo da energia

O preço de instalação favorece a proposta mais barata, ainda que gere menos. Um critério melhor divide o custo total pela energia garantida:

Custo por kWh = (preço de instalação + manutenção de N anos) ÷ energia garantida em N anos

Um critério equilibrado combina esse indicador com uma pontuação técnica por equipamentos, garantias, prazo e experiência comprovada.

6. Inclua o contrato no edital

As condições que importam (marcos de pagamento, multas, testes de recebimento, garantia de desempenho) devem ser conhecidas antes de apresentar proposta. Negociá-las depois de adjudicar tira do contratante sua melhor posição. O guia de cláusulas-chave do contrato as detalha.

O que mostra uma licitação real

Em 2017, foi licitada no Mercado Público a usina de 30 kWp do Palácio de La Moneda, dentro do Programa Techos Solares Públicos do Ministério de Energia. As três propostas mais baixas foram de CLP 32,2 milhões, CLP 33,7 milhões e CLP 46,6 milhões.

As duas primeiras ficaram a 4,4 % de distância: com editais padronizados, os licitantes que entendem o escopo convergem. A terceira, 45 % mais cara, mostra o outro lado: mesmo com editais claros, há propostas que cotam outra coisa. O programa, que interveio em mais de 130 edifícios públicos, publicou também seus custos de adjudicação: uma referência de preços para todo o mercado.

No setor público

As compras do Estado são regidas pela normativa de compras públicas e são feitas por meio do Mercado Público. O que foi dito acima continua valendo: o edital técnico é o documento que define se chegarão propostas comparáveis. Dois cuidados adicionais:

  • Os critérios de avaliação e suas ponderações devem estar no edital e não podem ser alterados depois.
  • Uma consulta prévia ao mercado ajuda a não deixar licitantes de fora por um requisito mal calibrado.

Perguntas frequentes

O que costumam perguntar

Quantos licitantes convém convidar?

Os suficientes para ter pelo menos três propostas válidas. Em uma licitação privada, convidar cinco ou seis empresas costuma bastar.

Convém licitar por preço ou por produção?

Pelos dois. Avaliar apenas o preço premia quem instala menos ou pior; avaliar o custo por kWh garantido alinha o incentivo com o que você realmente compra: energia.

Quem pode preparar os editais técnicos?

Um profissional com experiência em projeto e construção de usinas que não vá participar como licitante. Carlos Jofré faz isso dentro da revisão independente de propostas, e não revisa licitações em que a SolarPro participe.

E se eu já recebi as propostas?

Ainda é possível levá-las a uma base comum e compará-las. É o que faz a revisão de propostas, com uma matriz comparativa e uma recomendação.

Fontes

De onde vêm os dados

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Para o setor público

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