Carlos Jofré

Guia

Como avaliar uma proposta solar para sua empresa

Para comparar orçamentos solares é preciso levá-los à mesma base. Três números permitem isso: os kWp instalados, os kWh por kWp que cada proposta promete por ano e o preço por watt. Com isso se vê se o tamanho é compatível com o seu consumo, se a produção é crível para a sua cidade e se as diferenças de preço se explicam por equipamentos, garantias ou escopo. Este guia percorre as oito revisões, em ordem.

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Em resumo

  • Compare com três números: kWp, kWh por kWp ao ano e preço por watt.
  • A produção prometida é comparada com o Explorador Solar ou com o PVGIS para a sua cidade.
  • Uma diferença de preço grande entre ofertas quase sempre é uma diferença de escopo.
  • O que não estiver escrito na proposta não está incluído.

1. O tamanho é compatível com o seu consumo?

Peça que o dimensionamento se apoie nas suas 12 últimas contas e, se existir, no perfil horário do medidor. Uma usina maior do que o que você consome de dia gera excedentes, e os excedentes injetados na rede valem menos do que a energia que você deixa de comprar.

Desde a Lei 21.118, de novembro de 2018, os clientes regulados podem aderir à geração distribuída para autoconsumo (Net Billing) com até 300 kW por instalação. Acima desse tamanho, o projeto segue outro caminho regulatório e a proposta deve dizer qual.

2. A produção prometida é crível?

Divida a energia anual que a proposta promete pelos kWp instalados. O resultado, em kWh por kWp, pode ser contrastado com uma fonte pública:

Se a proposta promete bem mais, peça o relatório de simulação e revise quais sombras, orientação e perdas foram supostas.

3. Quais equipamentos, exatamente?

«Painéis Tier 1» não é uma especificação. A proposta deve indicar marca, modelo e quantidade de painéis, inversores e estrutura, com suas fichas técnicas. Verifique duas coisas:

  • Que painéis e inversores constem entre os produtos autorizados pela SEC para geração cidadã.
  • Que o contrato impeça trocar equipamentos sem a sua aprovação.

4. Quais garantias, e quem responde?

Há três garantias distintas: a de produto de cada equipamento, a de desempenho dos painéis e a de instalação. Pergunte por prazos, por quem responde no Chile se o fabricante não tem escritório local e o que acontece se a empresa instaladora deixar de existir.

5. Qual é o preço por watt?

Divida o preço total pela potência em watts. Compare na mesma base: com ou sem IVA, com ou sem estrutura especial, com ou sem tramitação, monitoramento e manutenção do primeiro ano.

Uma regra prática

Quando duas ofertas sérias para o mesmo projeto diferem em poucos pontos percentuais, competem em eficiência. Quando diferem em 30 % ou 40 %, não estão cotando a mesma coisa. Na licitação da usina de La Moneda, a oferta vencedora ficou 4,4 % abaixo da segunda e 31 % abaixo da terceira.

6. Com quais premissas o retorno foi calculado?

O período de retorno depende de premissas que quase nunca estão à vista:

PremissaO que revisar
Tarifa elétricaQue seja a da sua conta de luz, não uma genérica
Reajuste anual da tarifaUm reajuste otimista encurta o retorno no papel
AutoconsumoQue porcentagem da energia você consome diretamente
ExcedentesA que valor se supõe que são pagos
DegradaçãoA mediana medida é 0,5 % ao ano; há estudos chilenos com valores mais altos
ManutençãoLimpezas, inspeções e substituição de inversores

7. O que diz o contrato?

  • Prazo de entrega e multas por atraso.
  • Marcos de pagamento vinculados a avanços verificáveis, com um saldo contra a entrada em operação.
  • Quem tramita a declaração perante a SEC (TE4) e a conexão com a distribuidora, e o que acontece se houver atraso.
  • Se há uma produção ou um Performance Ratio garantido, como é medido.

Mais detalhes no guia de cláusulas-chave do contrato.

8. O que acontece depois da entrada em operação?

Uma usina sem monitoramento pode passar meses com uma string desconectada sem que ninguém perceba. A proposta deve dizer quem olha os dados, a cada quanto tempo se limpa e inspeciona, e quanto custa a manutenção a partir do segundo ano.

Sinais de alerta

  • Produção prometida sem relatório de simulação.
  • Equipamentos «ou similares».
  • Retorno calculado sem mostrar as premissas.
  • Pagamento total ou quase total antes da entrada em operação.
  • Nada sobre a tramitação perante a SEC.

Perguntas frequentes

O que costumam perguntar

Quantos orçamentos convém pedir?

Três é um bom número: permite ver o que é preço de mercado e o que é diferença de escopo. O importante é que todas respondam à mesma solicitação.

Como sei se a produção que me prometem é realista?

Calcule os kWh por kWp ao ano e compare-os com o Explorador Solar do Ministério de Energia ou com o PVGIS para a sua localização. Um sistema fixo sem sombras produz em Santiago cerca de 1.832 kWh por kWp, segundo o PVGIS.

O que faço se nenhuma proposta for adequada?

Peça correções concretas aos fornecedores ou volte a cotar com uma especificação escrita. Uma revisão independente entrega justamente essa lista.

Quanto custa ter alguém para revisar meus orçamentos?

Carlos Jofré publica seu preço: CLP 590.000 por revisar até três propostas de sistemas de até 100 kWp, e CLP 990.000 entre 100 e 500 kWp.

Fontes

De onde vêm os dados

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A partir de CLP 590.000. A chamada inicial de 15 minutos não tem custo.